Direitos autorais

Caro visitante
Os textos aqui postados são da minha autoria e aqueles que não os são estão devidamente assegurado os direitos autorais pela citação da fonte.
É muito importante prezarmos pela ética e o respeito pelo direitos autorais.
Sem isso fica impossivel mantermos um bom nivel intelectual e de "convivência".
Acredite em você!
E jamais se "aproprie" do que não é seu. Existe uma legislação vigente que nos protege deste crime.

Márcia Aguiar

domingo, janeiro 30, 2011

Mitos e Verdades sobre Dança do Ventre:

1. NÃO TENHO MAIS IDADE PARA DANÇAR! - É uma dança para todas as idades e todos os tipos físicos. Engana-se quem idealiza que para se dançar, é preciso ser nova e esbelta. Em alguns países árabes as mulheres mais "cheinhas" e mais velhas são consideradas as melhores bailarinas, por já possuírem bastante experiência de vida e poder transmiti-la na dança. Possuem mais capacidade de realizar uma "Interpretação Musical";

2. BELEZA - Na dança do ventre não existe mulher feia. As roupas, os movimentos, as maquiagens exóticas e o que você passa ao público enquanto dança, deixam-na mais bonita, sensual, atraente...;

3. ACREDITE EM VOCÊ - Se tem dificuldades em realizar um passo, é só uma questão de tempo que você vai conseguir. A assimilação dos movimentos varia muito de mulher para mulher;

4. CONFIE EM SUA PROFESSORA - Conte a ela o que está mudando em seu corpo e na sua vida depois que começou a dança;

5. EU NÃO DANÇO BEM! - Dançar bem está ao alcance de todas. Exige treinos constantes; estudar ritmos; ouvir muita música; entregar-se totalmente à dança. Converse com o público através de seu corpo. Procure interpretar a melodia com movimentos adequados, principalmente expressões faciais. Leve alegria, graça, sensualidade e respeito as suas apresentações;

6. TOTAL INTERAÇÃO - É uma dança que exige espiritualidade, inspiração, concentração e interação da bailarina com ela mesma, com os músicos, com a música, com os movimentos, com o ambiente e com o público.

7. A DANÇA É UMA ARTE - É considerada uma arte porque veio da Arte Religiosa Egípcia, é a expressão mais profunda da compreensão que os egípcios tinham do mundo. Essa dança é uma representação do conhecimento feminino do mundo;

8. É CONSIDERADA UM EXERCÍCIO COMPLETO - Considerada completa porque trabalha todos os grupos musculares do corpo. Isso só se sua professora estiver sempre trabalhando os movimentos da dança, combinados com exercícios de força, resistência muscular, sustentação, leveza e equilíbrio;

9. AJUDA A EMAGRECER - Faz você perder por volta de 300 calorias por hora, porque é um exercício aeróbico, utiliza-se muito oxigênio para a queima de gordura. O resultado só acontece caso você dance uma hora sem parar pelo menos 3 vezes na semana - como qualquer outro exercício aeróbico;

10. DEFINE SEU CORPO - Além de ajudar a emagrecer, define seu corpo, afina sua cintura. Às vezes temos a impressão de que os quadris aumentaram, isso acontece em virtude da cintura afinar. Para quem já é magra não há preocupação: a dança irá apenas definir melhor o seu corpo e fazer você nascer de novo;

11. ENRIJECE O BUMBUM - E também as coxas e a musculatura abdominal;

12. NÃO DÁ BARRIGA - Este é o mito mais comum, muitas mulheres deixam de praticar a dança por este motivo que é uma grande mentira! O mito existe porque nos países de sua procedência, culturalmente, as mais gordinhas são mais apreciadas na dança. Pelo contrário, a dança enrijece os músculos abdominais, trabalha a força e a elasticidade dos músculos abdominais, usando as ondulações dos quadris que adquirem um formato levemente arredondado - como o de um violão, bem feminino;

13. COLUNA - Como o corpo não está acostumado com determinados movimentos, é normal, mesmo para quem não tem problema na coluna, sentir um pouco de dor nas costas. Caso estas dores perdurem você deve procurar um médico e deve também avisar a professora. Ela vai tomar cuidado ao lhe passar determinados movimentos. Na dança existem inúmeros movimentos belíssimos e permitidos para quem tem algum problema na coluna e você poderá dançar confortavelmente;

14. ELEVA A AUTO-ESTIMA - Promove o autoconhecimento e o despertar da mulher interior - sua Deusa Interior - você passa a sentir-se bem com você mesma e percebe o quanto é atraente, madura e tranqüila. Descongestiona os chakras e plexos através da canalização da energia vital;

15. SEXO - Descontrai e liberta um erotismo saudável, sem vulgaridade e sem culpas.


Fonte: www.luxordancadoventre.com.br

sábado, outubro 09, 2010



Eu desistiria da eternidade
para tocar você
Pois sei que de alguma forma
Você me percebe

Você é o mais perto do céu
Que eu posso chegar
e não quero voltar
Para casa agora...

O único gosto que sinto
É o deste momento
E tudo que tenho para respirar
É seu amor.

Por que cedo ou tarde
Isto pode acabar
Hoje a noite
Não te deixarei ir...

Eu preferiria...
Sentir o cheiro de seus cabelos,
Dar um beijo em sua boca...
Tocar uma vez em sua mão...
A passar a eternidade sem isso
CIDADE DOS ANJOS

quinta-feira, outubro 07, 2010

terça-feira, setembro 28, 2010

Oração

ORAÇÃO DO APRENDIZ

Senhor !
Em tudo quanto eu te peça, conquanto agradeça a infinita bondade com que me atendes.
Não consideres o que eu te rogue, mas aquilo de que eu mais necessite.
E quando me concederes aquilo de que eu mais precise, ensina-me a usar a tua concessão, não só em meu proveito, mas
em benefício dos outros, a fim de que eu seja feliz com a tua dádiva, sem prejudicar a ninguém.
Espírito: ANDRÉ LUIZ
Médium: Chico Xavier
Livro: "Aulas da Vida" - EDIÇÃO IDEAL

Poesia

 

Se (Hermógenes)

Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,

Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda
,Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta. 


Foto: Cachoeira do Teotonio em Porto Velho Ro autoria minha amiga Rúbia Luz

sexta-feira, agosto 27, 2010

História do teatro

O teatro surgiu a partir do desenvolvimento do homem, através das suas necessidades. O homem primitivo era caçador e selvagem, por isso sentia necessidade de dominar a natureza. Através destas necessidades surgem invenções como o desenho e o teatro na sua forma mais primitiva. O teatro primitivo era uma espécie de danças dramáticas colectivas que abordavam as questões do seu dia a dia, uma espécie de rito de celebração, agradecimento ou perda. Estas pequenas evoluções deram-se com o passar de vários anos. Com o tempo o homem passou a realizar rituais sagrados na tentativa de apaziguar os efeitos da natureza, harmonizando-se com ela. Os mitos começaram a evoluir, surgem danças miméticas (compostas por mímica e música).
Com o surgimento da civilização egípcia os pequenos ritos tornaram-se grandes rituais formalizados e baseados em mitos. Cada mito conta como uma realidade veio a existir. Os mitos possuíam regras de acordo com o que propunha o estado e a religião, eram apenas a história do mito em ação, ou seja, em movimento. Estes rituais propagavam as tradições e serviam para o divertimento e a honra dos nobres. Na Grécia sim, surge o teatro. Surge o “ditirambo”, um tipo de procissão informal que servia para homenagear o Deus Dioniso (Deus do Vinho). Mais tarde o “ditirambo” evoluiu, tinha um coro formado por coreutas e pelo corifeu, eles cantavam, dançavam, contavam histórias e mitos relacionados a Deus. A grande inovação deu-se quando se criou o diálogo entre coreutas e o corifeu. Cria-se assim a acção na história e surgem os primeiros textos teatrais. No ínicio fazia-se teatro nas ruas, depois tornou-se necessário um lugar. E assim surgiram os primeiros teatros.

Teatro na Grécia Antiga

A consolidação do teatro, na Grécia Antiga, deu-se em função das manifestações em homenagem ao deus do vinho, Dioniso ou Baco (em Roma).[1] A cada nova safra de uva, era realizada uma festa em agradecimento ao deus, através de procissões. Com o passar do tempo, essas procissões, que eram conhecidas como "Ditirambos", foram ficando cada vez mais elaboradas, e surgiram os "diretores de Coro", os organizadores de procissões. Os participantes cantavam, dançavam e apresentavam diversas cenas das peripécias de Dionísio e, em procissão urbanas, se reuniam aproximadamente 20 mil pessoas, enquanto que em procissões de localidades rurais (procissões campestres), as festas eram menores.
O primeiro diretor de Coro foi Téspis, que foi convidado pelo tirano Psistrato para dirigir a procissão de Atenas. Téspis desenvolveu o uso de máscaras para representar, pois em razão do grande número de participantes era impossível todos escutarem os relatos, porém podiam visualisar o sentimento da cena pelas máscaras. O "Coro" era composto pelos narradores da história, que através de representação, canções e danças, relatavam as histórias do personagem. Ele era o intermediário entre o ator e a platéia, e trazia os pensamentos e sentimentos à tona, além de trazer também a conclusão da peça. Também podia haver o "Corifeu", que era um representante do coro que se comunicava com a platéia do acontecimento.
Em uma dessas procissões, Téspis inovou ao subir em um "tablado" (Thymele – altar), para responder ao coro,logo em seguida tespis se passou por dionisio, fingindo que o espirito de dioniso adentrou no seu corpo, e assim, tornou-se o primeiro respondedor de coro (hypócrites). Em razão disso, surgiram os diálogos e Téspis tornou-se o primeiro ator grego.

Os célebres autores:
Muitas das tragédias escritas se perderam e na atualidade são três Tragediógrafos conhecidos e considerados importantes: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes.[1]
Ésquilo (525 a 456 aC aproximadamente) – Principal Texto: Prometeu Acorrentado. Tema Principal que tratava: Contava fatos sobre os Deuses e os Mitos. Ele morreu com uma tartarugada na cabeça enquanto andava pela praia.
Sófocles (496 a 406 a.C.aproximadamente) – Principal Texto: Édipo Rei. Tema Principal que tratava: das grandes figuras Reais.
Eurípides (484 a 406 a.C.aproximadamente) – Principal Texto: As Troianas – Tema Principal que tratava: dos renegados, dos vencidos (Pai do Drama Ocidental)
Aristófanes e a Comédia: Dramaturgo grego (445 a 386 a.C.). É considerado o maior representante da comédia antiga.


Tragédia grega

Muito se discute a origem do teatro grego e, conseqüentemente, das tragédias. Aristóteles, em sua Poética, apresenta três versões para o surgimento da tragédia. A primeira versão argumenta que a tragédia, e o teatro, nasceram das celebrações e ritos a Dionísio, o deus campestre do vinho. Em tais festividades, as pessoas bebiam vinho até ficarem embriagadas, o que lhes permitia entrar em contato com o deus homenageado. Homens fantasiados de bodes (em grego, tragos) encenavam o mito de Dionísio e da dádiva dada por ele à humanidade: o vinho. Esta é a concepção mais aceita atualmente, pois explica o significado de tragédia com o bode, presente nas celebrações dionisíacas.
A segunda versão relaciona o teatro com os Mistérios de Eleusis, uma encenação anual do ciclo da vida, isto é, do nascimento, crescimento e morte. A semente era o ponto principal dos mistérios, pois a morte da semente representava o nascimento da árvore, que por sua vez traria novas sementes. A dramatização dos mistérios permitiria o desenvolvimento do teatro grego e da tragédia.
A terceira concepção para o nascimento da tragédia, e a aceita por Aristóteles, é de que o teatro nasceu como homenagem ao herói dório Adrausto, que permitiu o domínio dos Dórios sobre os demais povos indo-europeus que habitavam a península. O teatro seria a dramatização pública da saga de Adrausto e seu triste fim.
A análise das obras dos principais autores trágicos, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, como empreendida por Albin Lesky (A tragédia grega) e Junito Brandão (Teatro Grego: origem e evolução), nos conduz a um denominador comum da tragédia: o métron de cada um. Parte da concepção grega do equilíbrio, harmonia e simetria e defende que cada pessoa tem um métron, uma medida ideal. Quando alguém ultrapassava seu métron, seja acima ou abaixo dele, estaria tentando se equiparar aos deuses e receberia por parte deles a "cegueira da razão". Uma vez cego, esse alguém acabaria por vencer sua medida inúmeras vezes até que caisse em si, prestes a conhecer um destino do qual não pudesse escapar.
A tragédia seria assim uma popularização do "mito de Procrusto". Este convidava os viajantes a se hospedarem em sua casa, mas tinha uma cama muito grande e outra cama minúscula. Durante a noite, Procrusto procurava adequar o viajante à cama escolhida, serrando os pés dos que optavam pela cama pequena ou esticando os que escolhessem a cama grande. O objetivo de Procrusto era colocar cada um na sua medida, ou melhor, no seu métron.
Como ensinou Aristóteles, a tragédia não era vista com pessimismo pelos gregos e sim como educativa. Tinha a função de ensinar as pessoas a buscar a sua medida ideal, não pendendo para nehum dos extremos de sua própria personalidade. Para o filósofo de Estagira, entretanto, a função principal da tragédia era a catarse, descrita por ele como o processo de reconhecer a si mesmo como num espelho e ao mesmo tempo se afastar do reflexo, como que "observando a sua vida" de fora. Tal processo permitiria que as pessoas lidassem com problemas não resolvidos e refletissem no seu dia-a-dia, exteriorizando suas emoções e internalizando pensamentos racionais. A reflexão oriunda da catarse permitiria o crescimento do indivíduo que conhecia os limites de seu métron. A catarse ocorreria quando o herói passasse da felicidade para a infelicidade por "errar o alvo", saindo da sua medida ideal.
A questão da "medida de cada um" é recorrente na obra dos trágicos, mas trabalhada de forma diferente de acordo com a concepção de destino. O objetivo de Ésquilo era homenagear Zeus como principal deidade, prevendo o destino de cada um. Quando alguém tentava fugir de seu destino, por sair de seu métron, acabava cumprindo o destino escrito por Zeus. Basta ler a Oréstia para perceber a visão de destino e o papel de Zeus.
Sófocles, por sua vez, escreveu verdadeiras odes à democracia, pregando abertamente que somente ela poderia aproximar os homens dos deuses. Aquele que não respeitava a democracia (representada pelo coro), procurava se auto-governar e fugir de seu destino terrível, teria como resultado final aquele mesmo destino que destemidamente lutava contra. Para ele, o homem só encontraria sua medida na vida pública, atuando na pólis, por intermédio da democracia ateniense. Isso fica muito claro em Antígone (na oposição entre lei humana e lei divina, mostrando que a lei humana emanada pela democracia, ou coro se aproximava da lei dos deuses) e em Electra.
Em compensação, Eurípedes dizia que o coração feminino era um abismo que podia ser preenchido com o poder do amor ou o poder do ódio. É visto por muitos como o primeiro psicólogo, pois se dedicava ao estudo das emoções na alma humana, principalmente nas mulheres. Aristóteles o chamou de o "maior dos trágicos", porque suas obras conduziam a uma reflexão - catarse - que os demais trágicos não conseguiam. Numa sociedade patriarcal e machista, Eurípedes enfatizava a mulher e como ela poderia fazer grandes coisas quando apaixonada ou tomada de ódio. Defendia que o amor e o ódio eram os responsáveis pelo afastamento da medida de cada um. Podemos destacar Medéia e Ifigênia em Áulis como duas peças de Eurípedes nas quais os sentimentos e emoções são levados à flor da pele.

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_teatro

 

Tragédia Grega e Polis por Thiago Rodrigues Braga *

A tragédia grega  constitui uma base de ensinamentos cívicos para a polis. O sentido do termo polis não quer dizer apenas um local socialmente organizado, antes disso, para os gregos antigos, a polis era uma maneira de compartilhamento de concepções práticas da vida cotidiana. Nesse aspecto, o texto propõe uma interpretação da tragédia grega enquanto elemento formador e regulador da polis grega. A Tragédia grega ensina como enfrentar as nossa fraquezas, a condição humana. Nessa linha de pensamento, o conceito grego “sophrosyne” tem um papel primordial, fazer com que cada cidadão sinta-se parte de um todo maior, chamado polis.
Palavras-chaves: Tragédia grega, Polis, Sophrosyne (temperança).
A tragédia grega aparece após a epopéia – de Homero e Hesíodo - Por volta de 500 a.C, reunia grande parte da população grega num mesmo espetáculo. A música junto aos diálogos curtos acendia o entusiasmo do público e arrastava os gregos ao delírio. Os diálogos ocultavam alguns elementos, por exemplo, um personagem fala com sua própria irmã sem que esta saiba que esta falando com seu irmão.
O poeta trágico torna coisas, familiares ao povo grego, acontecimentos comum, em coisas estranhas. Faz o comum torna-se novo, diferente, não habitual. Esse estranhamento ocorre pelo ocultamento –desvelado no fim de cada diálogo – de informações. O caminho traçado pelo poeta dá uma sensação de espanto e medo. Provoca uma mudança abrupta de emoções no coração do expectador. Nesse jogo dialógico entre aquilo que se oculta e o que se estranha, traz a tona a idéia de “pathos” grega. O ‘pathos’ é a influência de forças externas sobre o pensamento e comportamento do homem. As forças externas é tudo aquilo que acontece fora do corpo do indivíduos, os estímulos.

Assim como na epopéia a tragédia retrata o herói, situa-se entre os deuses (divindade) e o homem. O herói alimenta sua força na hybris, isto é, ele se glorifica por meio do excesso e da desmedida. Ao expressar seu desejo, e tentar satisfazê-lo, o herói causa uma erupção de sentimentos na platéia – é justamente nesse momento que compreendemos a função da tragédia enquanto ensinamento cívico.
A tragédia não retrata a atualidade da Grécia antiga, mas fala a respeito de um aspecto universal, comum a todos os homens de todas as épocas, o destino de cada um enquanto indivíduo. Aqui vem a pergunta que cada um pode fazer a si mesmo: O que devemos fazer para aceitar melhor as nossa limitações e incapacidades? –para os gregos as limitações da condição humana estão entranhadas com aquilo que eles entediam por destino. Deste modo, o cidadão grego se perguntará; o que posso fazer para evitar o mal que lhe sucedeu ao herói trágico? Ele, o homem grego, teme cair no mesmo erro que o herói trágico.
A paidéia – formação do homem grego de criança à idade adulta- se fortalece com a tragédia e permite ao grego conhecer melhor sua interioridade, o seu “daimon” – cabe dizer que o “daimon” não representa necessariamente a força negativa interna de cada um, assim como o herói, o “daimon” se localiza entre a divindade e o homem, portanto, ele pode ser hora algo positivo, hora algo negativo.
O herói trágico não é o mesmo que o herói da epopéia, ele não é um exemplo a ser seguido, não representa um ideal de homem –como o herói épico-. Ele representa a falta de comedimento e acaba em sofrimento. O homem grego vê no herói trágico a sua própria dor, portanto, serve de um alerta para não cair no mesmo erro que ele. O herói trágico ensina ao grego como atravessar um rio cheio de piranhas sem ser notado por nenhuma delas.
A tragédia grega permitiu ao grego conhecer-se melhor sem colocar-se em oposição à vida púbica. O sujeito reconhece seus erros e seus limites e tenta superá-los por meio da catarse (purificação). Como se alcança a catarse? Através do domínio dos próprios desejos, dos prazeres, o controle da hybris. Desse modo, o indivíduo atinge um grau de temperança, a “sophrosyne”, justa medida, o equilíbrio da ação. A tragédia é um ritual que purifica o mal, expurga todo sentimento de superioridade que o indivíduo possui. Não há o mais forte ou o mais belo, mas é o reconhecimento das fraquezas humanas que permite ao sujeito sentir-se igual aos outros. Torna-te o que tu es. A solene frase escrita por Nietzsche, deve ser entendida aos moldes gregos, e, quer dizer, reconhece o quão o humano que eres, reconhece a tua condição, a tua espécie, saiba quais são os teus limites, e, só assim terás um campo aberto para correr, andar, saltar, e atingir lugares, antes, nunca vistos.
Na Grécia antiga não havia a noção de “eu” tal como temos hoje, um “eu” individual, fragmentado, deslocado da vida pública. O grego não se considera senhor de sua integridade, ele sabe que existem forças que agem no indivíduo que independem da vontade, por exemplo, a constituição biologia, a história vivida de cada um, o contexto social. São condicionamentos ao homem que independem dele. O grego entendia todos esses condicionamentos no conceito de destino. Do destino nada se sabia, saber o destino é coisa para os deuses. Ninguém podia ser responsável pelo seu próprio ato, visto que aquilo fazia parte do destino. Sem a noção de um “eu” individual, não há idéia de culpa, e sem culpa não é possível pensar em punição. A idéia de culpa ligada à punição surgirá com o advento do cristianismo. Se não há punição alguém pode pensar, qual seria o instrumento regulador da ordem social? Uma resposta que satisfaça um questionamento como este exigiria um estudo filológico e histórico da Grécia antiga, aqui pretendemos apenas assinalar alguns elementos.
Quando o homem grego tenta agir com temperança -sophrosyne-, ele, de certa forma, age na polis. A preocupação consigo mesmo, do sujeito, culmina na harmonia da polis. É na polis que o homem grego se sente igual perante aos outros. Podemos perceber a importância da tragédia em fazer os gregos reconhecerem-se como iguais. Destarte, a polis se afinca numa base unitária desenvolvendo-se. Nesse contexto, não há separação entre vida pública e vida privada, para o grego ele é parte de um todo. Um todo chamado de polis.
A purificação através do domínio de si é uma medida que abranda o grau de maldade de cada cidadão, e isso engendra a manutenção do cosmo grego, a ordem.
Não podemos conceber o conceito grego “sophrosyne” como instrumento de controle social, não como um olho que guarda e vigia seus cidadãos. A renuncia do homem grego não é a mesma que ocorria no cristianismo. Na época cristã a renuncia era realizada visando obter um fim, um lugar junto a Deus após a morte, uma recompensa. Para os gregos não há essa idéia de recompensa, de premiação. A renuncia feita a partir da temperança é apenas uma boa forma para se aceitar a condição humana, é um modo de não entregar-se aos sentimentos que empobrece o homem, por exemplo, raiva, inveja, rancor. Não entregar-se não significa que o sujeito deixará de sentir raiva, mas ele impedirá que a raiva tenha um efeito negativo. Os sentimentos são involuntários, não podemos deixar de amar uma pessoa como quem desliga uma televisão ou não conseguimos abolir a tristeza, mas podemos aprender a lidar com esses sentimentos a fim de obter um efeito positivo. Era assim que funcionava a temperança para os gregos da polis. É necessário dizer aqui que, os gregos da época da tragédia só buscava a “sophrosyne” por medo, medo que era provocado pelas peças trágicas. Portanto, a tragédia induz ao homem grego a ter uma vida temperante. É esse modo de vida que terá uma grande importância para a polis.
Para o grego antigo a “catarse” não é uma manifestação de sentimentos reprimidos. Trata-se de uma relação consigo mesmo, uma questão de auto-superação, vencer as próprias fraquezas.
Como já vimos, os gregos não possuíam o conceito de culpa do direito moderno, ninguém podia errar pela própria vontade, só se erra pela ignorância, como apontou Sócrates. O pensamento de Sócrates é herdeiro da tragédia e, portanto, toda sua filosofia perpassa os ensinamentos cívicos que encontram-se no substrato das peças trágicas.
O daimon do qual se diz que acompanhava Sócrates é a cristalização do “pathos”. Ele não expressa uma qualidade especial que o filósofo da moral tinha. Não é um distintivo que nomeia a superioridade intelectual de Sócrates, apenas sugere que todos estão sujeitos a praticar um ato contra a vida de outro, portanto, é necessário cuidar as próprias paixões, para que estas não levem ao homem a cometer uma crueldade. Mais uma vez, vemos como a tragédia ensina que todos os homens são iguais em termos de humanidade. Todos sofrem, amam, odeiam, choram, etc.
Para os gregos a consciência de um destino, do qual nada se sabe, é uma evidência que não se consideravam donos dos próprios passos. O homem grego, daquela época, se sente integrado a “physis”. Comumente entende-se por “physis” natureza, mas como sabemos da vantagem da língua grega arcaica em condensar vários significados numa mesma palavra, deixamos ao leitor uma citação:
“physis é o nome correspondente aos verbos produzir, fazer crescer, formar-se,crescer asas.” (Ferrater Mora, 2271)
“Physis significa , pois, originalmente, o céu e a terra, as pedras e as plantas, os animais e o homem e a história humana como obra dos homens e dos deuses” (Ferrater Mora, 2271)
O homem grego se concebe como parte integrante da “physis”, nunca acredita ter uma postura objetiva (O olhar de fora do cosmo) – alusão para a dicotomia sujeito-objeto – Ele é apenas mais um dentro do cosmo e por isso não pode decidir a respeito da própria natureza humana. Alguns anos mais tarde essa visão perde lugar, a saber, com o advento do humanismo a cisão entre homem e natureza ocorre, do ponto de vista cientifico iluminista, encontra sua maior expressão na física de Newton e no pensamento de Galileu.
É enfadonho e complicado imaginar como um homem reconhece a si mesmo como um grão de milho no milharal. Um lugar onde o indivíduo nunca é melhor em relação a seus semelhantes, mas em relação a si mesmo. Eles se espelham nos deuses, não há espaço para competição individual, não vemos uma exaltação do “ego”. Se o sujeito não pode ser culpado por males feitos, também não pode ser premiado por puro mérito próprio. Parte do mérito é de fonte divina. Aqui vemos uma nítida semelhança da cultura grega e cultura oriental, do ponto de vista mitológico.
Contudo, percebemos a dívida da cultura ocidental para com a cultura oriental. Os mitos religiosos manifestados em tom de rituais, devolvem ao grego a harmonia. É justamente dessa relação de tragédia e polis que nasce o equilíbrio dos desejos, pelo exercício do preceito delfico, “nada em demasia”. O sujeito tenta fazer aquilo que o herói trágico não foi capaz de fazer, guiar suas paixões.
Cada homem participa de uma queda de cabo de força com seus próprios desejos, com seus próprios demônios, com sua própria razão.

BIBLIOGRAFIA:
FERRATER MORA, J. Dicionário de Filosofia, tomo III (K-P). Edições Loyola. 2001
GAZOLLA, Rachel. O trágico e o político. In: Para não ler ingenuamente uma tragédia grega.
NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano.

* Sobre o autor:
Nome: Thiago Rodrigues Braga
Titulação: Graduando do 4°ano de ciências Sociais
Universidade Federal de Goiás
Trabalho realizado em Disciplina de Filosofia sobre Tragédia.

Oração da Dança - Santo Agostinho


Louvada seja a dança,
Ela libera o homem
Do peso das coisas materiais,
Para formar a sociedade.
Louvada seja a dança,
Que exige tudo e fortalece
A saúde, uma mente serena
E uma alma encantada.
A dança significa transformar
O espaço, o tempo e o homem.
Que sempre corre perigo
De perder-se ou somente cérebro,
Ou só vontade ou só sentimento.
A dança porém exige
O ser humano inteiro,
Ancorado no seu centro,
E que não conhece a vontade
De dominar gente e coisas,
E que não sente a obsessão
De estar perdido no seu ego.
A dança exige o homem livre e aberto
Vibrando na harmonia de todas as forças.
Ó homem, ó mulher aprenda dançar
Senão os anjos no céu
Não saberão o que fazer contigo.
Augustinus (Santo Agostinho), 354 – 430 d.C.

Foto: montagem de Michael Jackson e meu filho Leonardo Marco

Dança - Mario Quintana


A menina dança sozinha
por um momento
A menina dança sozinha
com o vento, com o ar, com
o sonho de olhos imensos…
A forma grácil de suas pernas
ele é que as plasma, o seu par
de ar,
de vento,
o seu par fantasma…
Menina de olhos imensos,
tu, agora, paras,
mas a mão ainda erguida
segura ainda no ar
o hástil invisível
deste poema!

Mario Quintana

domingo, agosto 22, 2010